quinta-feira, 26 de junho de 2008

I've got you under my skin.


Conheci o Sinatra no auge dos meus dezessete anos. Pela internet. Era a primeira vez que eu saía sozinha com um completo desconhecido. Ele me buscou em casa, entrei em seu carro e fomos ao shopping conhecer um restaurante recém-inaugurado.

Tomei um café enquanto ele comia e falava, sem parar, sobre sua vida. Sinatra passou muito tempo falando, falando, falando... pedi outro café. Lembro muito bem do tédio interminável que senti. Era como se eu estivesse numa apresentação de um viciado em heroína e seu instrumento fosse... copos d’água. A única coisa que me chamava profundamente a atenção eram os olhos de Sinatra: azuis, translúcidos, concentrados. Tinha olhos de quem era bom de cama.

Ao sairmos do restaurante, Sinatra sugeriu que tomássemos um vinho em algum lugar. Topei, mesmo sem saber o local escolhido. Ele, com seus 24 anos na época, foi parar em um supermercado (torcida de nariz nº1) pra comprar um Merlot caro. Estacionamos em um condomínio, que era o dele, por sinal (torcida de nariz nº2), e entramos no elevador. Para a minha surpresa, o local escolhido não era seu apartamento. Subimos apenas para pegar uns copos, os quais ele tinha decorado com pinturas abstratas (torcida de nariz...).

Voltamos para o carro. Músicas do Frank Sinatra (sorrisinho nostálgico). O rapaz era muito bonito mesmo... sua voz levemente rouca, o sorriso confiante, cheiro de banho e corpo maliciosamente esculpido combinavam muito bem com seus olhos mais que azuis. Sinatra me fez um elogio. Inclinei-me, com a intenção de beijá-lo. Repousei minha mão sobre seu peito e tive uma surpresa agradável: piercing nos mamilos! Cheio de surpresas...

Descobrir aqueles piercings me deixou tarada. Adoro contrastes e ele, jeito e vida de bom moço, com mamilos furados... ebulição! Como que por instinto, retirei a alça da minha bolsa e prendi os ganchos em seus piercings. Brinquei demais. Provoquei demais. Com aquela idade eu tinha orgasmos só de imaginar ou ver a ereção nervosa do garoto provocado. Estávamos de calça jeans quando ele deitou em cima de mim. Fazíamos todos os movimentos de uma transa inocente e compassada. Sentia o tesão escorrer em mim.

Deixei o garoto com muita vontade. Mas, boa moça que eu era, não ia deixá-lo me comer no primeiro encontro. Inventei uma desculpa e ele me deixou em casa.

Eu nem poderia adivinhar que Sinatra, mais tarde, tornar-se-ia o mestre de todos os meus desejos. Mas isso é assunto pra outro post que virá em breve. Hoje Sinatra está morando em outro país e, mesmo assim, exerce um poder fascinante sobre mim. “Janeiro”, ele disse. “Em janeiro vou te comer pra compensar todos esses anos...”

Mestre dos desejos...
Diga-me o que fazer e eu faço.
Revele-me suas vontades e elas serão minhas também...

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